25 julho 2009

O TATU, MICHAEL JACKSON E O SENADOR

Esta semana foi marcada

por 3 fatos distintos, mas com uma mesma raiz, o dinheiro.

O primeiro fato foi uma reportagem exibida no Jornal Hoje, da Rede Globo. Fizeram o maior alarde sobre o Pará. Estradas esburacadas, falta de fiscalização e “crime” a plena luz do dia. O crime? Um matuto paraense na beira de uma rodovia vendendo um tatu. O pobre animal estava morto, claro. O matuto ainda não; mas à beira da fome, estripou o tal tatu e vendia a míseros R$25,00 reais, para fazer a feira e levar leite para as crianças. A globo, que é serviçal de ONGs arruaceiras que procuram alarde sobre nossos “crimes” ambientais, fez toda uma cena e, no final, a apresentadora de mil faces sacou, rapidamente, uma máscara de indignação e ralhou com o fato. Crime absurdo!

Antes de passar ao segundo episódio, é bom lembrar que na América, origem da maioria das ONGs, a caça é legalizada. Regulamentada, é verdade, mas legalizada. Logo, a diferença entre um gringo que mata um alce por esporte e o coitado do matuto que estripou um tatu para matar a fome, é apenas o dinheiro. Enquanto o gringo paga em dólares para matar o bicho, o matuto matou de graça para faturar os R$25,00.

Mas, afora a economia do fato, morte é morte. Regulamentada ou não, a matança foi a mesma. Animal lá, animal cá.

O segundo episódio desta semana ocorre na mais alta corte legislativa do Brasil. Atos secretos! Parentes nomeados! Bomba. Mas o tal senador tem um forte advogado, o sindicalista licenciado! Baseado em experiências próprias aconselha seu amigo a ficar quieto. Reclusão é a saída. Tudo passa. Logo um novo escândalo encobre o anterior.

O terceiro episódio ocorreu ontem. Morreu o “rei do pop”. O menino prodígio que aos 11 anos, negro, espantava o mundo com seu talento musical. Morre agora, aos 50, cor-de-rosa, desfigurado, depois de espantar o mundo com sua metamorfose. Queria virar borboleta, morreu no casulo, só, feio, em silêncio.

O que estes 3 episódios têm em comum?

O dinheiro e a mídia.

O dinheiro motivou os três.

O matuto matou o tatu porque o Governo não consegue resolver as desigualdades. Matou porque não tem emprego. Matou para vender e ganhar uns trocos.

O político nomeou por dinheiro. O Governo não tem controle. Ninguém fiscaliza. Não tem punição.Nomeou porque é hábito de nossos políticos. Nomeou porque o Brasil ainda é dos

> coronéis. E vai ficar lá, sem acontecer nada.

O “rei do pop” perdeu a sanidade com a fama e o dinheiro. Pensou que o dinheiro poderia mudar sua cor de pele, seu nariz. Mudou, mas ficou pior. E não houve dinheiro que chegasse.

A mídia falou dos 3 assuntos. Deu pau no matuto, alisou o senador e imortalizou o pop-star. Claro, o matuto é pobre, não dá retorno. É massa de manobra. O senador é influente, têm ligações, seu advogado dá concessões. O rei do pop já morreu, mas a fama dele ainda vai render uns bons trocos à mídia.

A moral da história? A moral da história é que o Brasil, infelizmente, ainda é um pais sem moral.

Pobre tem que cavar atrás de tatu para ganhar R$25,00, Senador nomeia seus parentes com ato secreto e nada vai acontecer, e americano sempre é pop.

O “rei do pop” já se foi. O senador tem muitos amigos e grande influência. O matuto paraense que se cuide, pode ser preso, afinal, como o planeta vai viver sem um tatu?

* Wagner Pereira Bornelli é

Sócio da Pereira & Bornelli Advocacia