28 setembro 2006

Sabotagem é:

Hoje um misto de felicidade exacerbada, e nostalgia me invadiram. Não sei bem porque me senti feliz, ou até mesmo o que despertou esta nostalgia profunda, este profundo sentimento de dor.

A dor como é o sentimento mais recente posso explicar com facilidade. Hoje ao estar com os amigos, não senti o tempo passar, mas quando estou com eles, vejo como minha existência é banal.

Julgo minha felicidade pela felicidade que eles encontraram. Um sentimento horrível, algo abominável surge dentro de mim quando estou com eles. Não me sinto mal por que eles são felizes, ainda bem, mas sim porque eu sou tão triste.

O que eu fiz de tão errado que não mereço ser feliz?

Porque me mantenho preso neste caos. Neste mundo onde cometo os mesmos erros não uma ou duas vezes, mas freqüentemente como se fossem uma seqüência de fatos impróprios, infortúnios constantes, mas que eu mesmo provoco.

Porque me sabotar?

Porque não aplicar o que na minha teoria parece tão certo.

Eu estou solitário, triste, aflito.

Minto para mim mesmo, porque nunca amei ninguém, nem sequer me amo. Não sei nunca o que dizer, e minto para mim mesmo dizendo que sei o que falar. Como posso me amar se me considero um erro, inconseqüente.

Isso nunca tive coragem de admitir, mas como mudar? Como mudar algo com o qual aprendi a conviver a tanto tempo? Não por mim, mas por todos, como posso ser feliz?

Sabotagem é tudo o que fazemos a nós. Sempre tentamos sabotar a nossa existência como se não tivéssemos motivos para sermos felizes.

É de forma dolosa que sabotamos a nossa imagem, é para prejudicar a nossa convivência social. Para prejudicar nossa convivência social, revelamos aos outros, aquilo que, para nos mesmos, ainda não tivemos coragem de dizer.

É para descaracterizar a nossa perfeição, é para destruir a nossa felicidade, dizimando nossa existência, para não torna-la tão banal, deixamos-nos levar por sentimentos ingratos de violência, de desprazer.

O grande problema do ser humano é sua capacidade de amar, por amarmos os outros, às vezes tão desesperadamente, tão loucamente, que nos tornamos incapazes de odiar o outro. Odiar o outro pelo simples fato de desgostar dele, seria politicamente incorreto, mas nos é permitido odiar a nossa própria personalidade.

As regras da sociedade são feitas para que todos levem a vida com a mesma futilidade, sempre. Esta futilidade deve ser mantida a qualquer custo. Como indivíduos, não nos importam, quais são, os verdadeiros, pensamentos, desejos e anseios do outro. Não queremos saber da vida privada das pessoas, pois tememos que seus problemas nos afetem. Que as dificuldades que os outros enfrentam podem afetar nosso discernimento moralista, nossa visão perfeccionista de quem somos, e principalmente, como os outros deveriam ser.

É preferível ao individuo, julgar o outro, sem conhecer seu passado, do que conhecer seu passado e ser complacente com sua vida desviada.

O individuo é simples reflexo da sociedade que ele comunga.

Não cabe a mim a construção da minha personalidade, mas a sociedade em que vivi a determinou, a construiu, peça a peça. Cada momento da minha vivência social marcou-se em minha mente de uma maneira peculiar, são os momentos que vivi, através das relações presenciadas, da convivência com as pessoas, aquelas que simplesmente vi. Aqueles que fizeram, ou não, parte de meu afeto.

Foram, estes outros, que construíram um novo individuo, foram através deles que atingi o grau de moral que tenho hoje, meu conceito de ética. Minha orientação sexual, minha subjetividade artística, meus jeitos e trejeitos, minha maneira de falar, meu vocabulário singularidades ao qual fui exposto por toda a minha vida, simples singularidades, exclusivamente elas, diferenciam o que sou do que você é.

Poderia começar controlando minha vida financeira, que se reflete em minha vida pessoal. Acho que todos são falsos comigo, aprendi a ser assim, a duvidar de tudo. Sou um desastre, mas será que um dia encontrarei os sobreviventes deste caos, ou quando tiver coragem para procurar será tarde demais.

Creio que o único meio de acabar com essa dor seria a própria morte, mas não quero morrer. Quero tentar lutar, não quero desistir. Não posso desistir.

Na Lembrança, Somente na Lembrança

Um dia há muitas eras atrás um homem acordou de sua irracionalidade e disse:

Eu Te Amo!

Este homem não sabia o que sentia, ou o que estas palavras significavam,

Como hoje ainda não sabemos o que sentimos quando amamos, nem o que significa amar

Este homem secular sentia-se desesperado,

Por não poder viver sem seu ser amado,

Não sabia por que sua simples presença o deixava sem ar,

Porque seu peito palpitava, com a sutileza de seu toque

Suas mãos suavam, pela ansiedade do encontro

Sua cabeça girava, somente de ouvir o doce som de sua voz.

Exatamente os sintomas que sentimos, por aqueles que dizemos Eu Te Amo

Um dia este homem acordou e descobriu que já não sentia mais nada,

Que para ele, o ser amado, não passava de um devaneio, uma lembrança, ilógica, irracional.

Como hoje ainda acordamos e descobrimos que o amor acaba.

Transitório o sentimento do amor,

Falácia é achar que o amor é eterno.

Do nada ele vem,

Ao nada ele vai,

Mas aquele homem secular, nunca esqueceu que um dia amou,

Como nós nunca nos esquecemos daqueles que amamos, mesmo que por uma simples estação.

Vai se o amor fica a lembrança do ser amado,

Para sempre,

Como uma cicatriz profunda,

Aqueles que amamos nunca nos deixam,

Paramos de amá-los, mas eles sempre estarão prontos!

Para assombrar nossos sonhos!

Ou nos fazer retornar a realidade!

Eterno não é o Amor,

Eterno é a lembrança!

Dos momentos que vivemos com aqueles que amamos.


Do nada os amores surgem,

Ao nada os Amores vão,


Mas o ser amado na lembrança sempre há de perdurar,

Na lembrança,

Somente na lembrança.



07 setembro 2006

Somos eternos! Adolescentes Gays.

Somos eternos! Adolescentes Gays.

Meus tópicos são realmente muito grandes, às vezes cansativos, mas esta historia vale a pena ser lida...

Hoje me deparei com uma situação que para mim foi um tanto interessante. Sempre achei que era liberal ao extremo, mas me descobri, não sou nada mais que um gay republicano. Um homossexual que cresceu em meio a uma sociedade politicamente correta, onde ser gay era gostar de menino, ser lésbica era gostar de menina e que o bissexual é uma falácia. Por não entender e por conhecer sempre pessoas com a mesma opinião, achava que o bissexual era uma falácia, note o era, porque hoje tudo mudou.

Sentado na Praça da Liberdade (Belo Horizonte) hoje, descobri o que realmente é a liberdade. Não é liberdade o que eu achava que era, porque livre mesmo são as pessoas que conheci, liberdade são o que eles representam.

É difícil explicar, me sinto velho ao fazer isso. Estava com um casal de amigas sentado olhando as pessoas. Estávamos indo embora e um adolescente, que primeiro achamos que por chacota, depois o julgamos realmente muito gay nos abordou. Vocês estavam olhando para mim não é? Assustados, mas achando graça olhamos para trás e sorrimos, ele então veio a nosso encontro. Sim, nosso gaydar disparou, mas você solta até purpurina! Ele também sorriu, questionou se ele era assim tão obvio.

Conversando descobrimos que não estávamos preparados para este novo fato. Ser gay não tem idade, nascemos gays, e a cada nova geração estamos mais liberais. Disse que era bissexual e provou isso muito bem. Apresentou suas amigas, e amigos, comentou sobre o colégio, conversou sobre paixão com uma profundidade incrível. Disse que todos em sua escola sabiam não só dele, mas de seus amigos também. E que poucos não eram bissexuais, heterossexuais eram uma raridade. Este fato nos chocou profundamente, sentimos até um pouco de inveja pela nossa adolescência, porque não estudamos em um colégio assim? Eles com cerca de quatorze, quinze anos estavam com a cabeça muito mais preparada para as ofensas da sociedade que nós, eles em momento nenhum se esconderam, ficaram sequer rubros com os olhares de condenação, deixaram de trocar caricias. Não quer dizer que passamos por uma fase mais difícil, mas no mínimo diferente. Quero salientar que temos cerca de vinte e poucos anos, mas eles são muito novinhos, e com uma cabeça tão perfeita sobre o que são. Coisa que comigo demorou muito tempo para acontecer, como creio que para muita gente deve ter demorado. Tem a noção do que vão enfrentar, sabem separar quem é realmente gay, de quem o é por pura conveniência social. Bissexuais todos, com muito orgulho por ser, adoráveis lolitos e lolitas, mas com os pensamentos de um grande filosofo, pelo menos em relação a si.

Será que por termos enfrentado uma realidade diferente, tínhamos uma perspectiva diferente do que somos, e daqueles que um dia farão parte do nosso mundo? Será que a sociedade deixou um pouco de lado seu papel ultra conservador? Será que há o gay republicano, o que se acha perfeito, politicamente correto, mas que descobri que é obsoleto, me senti assim no começo, mas adorei a surpresa que tive. O que vocês acham destes adolescentes que são bissexuais? Eles vão manter esta postura na vida adulta? O que é ser Bissexual no mundo de hoje? Você acha que é mais fácil se assumir na adolescência desta geração que das anteriores? Quais problemas eles ainda vão continuar enfrentado? O que mudou? O que se mantém? Quem proporciona esta mudança? A sociedade está mais preparada, para nos conferir o que é nosso? Ou nós estamos mudando a sociedade cada vez mais? A mídia ajuda em que para que as pessoas mudem? Pode se dizer que é mais fácil?Ajudem-me a entender por me senti tão surpreso, e arcaico.

Descobri um novo significado para tentar cada vez mais dizer as pessoas. I’m queer and I’m here. Não só por mim, mas me liguei que somos eternos, seja como for. Nossa historia mesmo com a mudança dos protagonistas, sempre vai existir.